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Um dos grandes problemas que a escola de jornalismo estadunidense nos legou é a picaretagem jornalística, permeada pelo sensacionalismo do tipo senso-comum, o oportunismo e a manipulação de fatos e de situações.

Esse é o contexto do jornalismo contemporâneo, cada vez mais privatizado e monopolizado, em que a tal da “liberdade de imprensa” é a liberdade garantida aos donos dos monopólios da informação para dizerem o que quiserem, inventar, manipular e pasteurizar os fatos impunemente.

O grande diretor do cinema estadunidense, Frank Capra, foi um dos pioneiros na denúncia e na reflexão através da arte, dessa forma de “jornalismo” marrom que impera em diversos países, onde não existem robustas emissoras de televisão e de rádio públicas. No famoso filme Meet John Doe (no Brasil, Adorável Vagabundo) de Capra, vemos uma jornalista que perde o emprego (representada pela atriz Barbra Stanwyck) e resolve inventar um “furo” jornalístico, criando um falso desempregado de nome John Doe, que ameaça suicídio no dia de Natal, em protesto contra a pobreza, o desemprego e a corrupção nos EUA dos anos 1930, gerando uma comoção nacional, a ponto do jornal contratar às pressas, um verdadeiro desempregado desesperado (representado pelo ator Gary Cooper), para encarnar John Doe, situação que finda no desmascaramento da farsa e na denúncia e desmoralização do jornal.

Não é novidade que no Brasil vivemos situação semelhante, com as concessões de televisão e rádio em mãos de gangues que manipulam a opinião pública e agem permanentemente em conluio com o poder e com a corrupção política e econômica. Essas empresas de comunicação contratam jornalistas corruptos ou corruptíveis, que se prestam a qualquer serviço sujo por dinheiro, sempre prontos para “análises” e interpretações de ocasião, de acordo com os gostos e as necessidades dos patrões.

Esses profissionais da patifaria não se envergonham, não coram diante do escárnio e das mentiras que contam ao vivo e a cores, nos horários nobres.

Quem não lembra de comentaristas que durante o governo Dilma diziam que “a crise nada tinha a ver com a crise da economia internacional” e depois, no governo do usurpador Temer, vem com a mesma cara lavada, dizer que “a crise econômica possui fundas raízes na crise econômica internacional”? Sem contar aqueles “jornalistas”, que foram absolutamente comprometidos com a ditadura militar, que vem à público falar de democracia e de honestidade da gestão pública, ou, como vemos no artigo da Folha de São Paulo, o articulista Igor Gielow, escrever na edição de 05 de março, que os 100 anos da Revolução Russa, de 1917, passam esquecidos!!

Mais que picaretagem, isso é fuleiragem e sem-vergonhice jornalística! É um escândalo ideológico, porque mentiroso. Qualquer pessoa minimamente informada e honesta sabe que, além de ser considerada uma das revoluções mais contundentes da história humana, a Revolução de 1917 e suas reverberações são discutidas permanentemente em escolas, universidades e, pasmem, até por jornalistas!

Para que tenhamos uma ideia, estão sendo programadas atividades de discussões e de debates sobre a Revolução Russa de 1917 em quase todos os países do mundo, nas principais universidades da Europa e até dos EUA. Para informação do senhor Gielow, na Rússia, na cidade de São Petesburgo, estão programados debates e seminários sobre os acontecimentos de 1917. Mas o artigo do “jornalista” picareta diz que nada de relevante acontece para comemorar a Revolução Russa de 1917.

Sem contar no Brasil, onde estão sendo preparados diversos seminários sobre a Revolução de 1917, em quase todas as capitais do país, em cidades do interior de São Paulo, de Minas Gerais, etc. Eu mesmo já estou agendado, até o momento, para participar de cinco eventos, sendo três em São Paulo, um no Rio e outro no exterior.

Me perdoem os amigos o desabafo, mas realmente estou enjoado do jornalismo que nos é apresentado cotidianamente. Ruim, de péssima qualidade intelectual e informativa. Jornais Nacionais, Jornais da Band e bandalheiras afins, debates manipulados em TVs pagas, onde você paga para ser enganado por apresentadores notadamente comprometidos com interesses de governos estrangeiros, denunciados como informantes pelo Wikileaks, apresentadores sensacionalistas que vivem das tragédias e das misérias alheias, cínicos e bufões de toda ordem invadindo nossas casas para nos agredir e embrutecer com suas ignorâncias prepotentes e manipulatórias do senso-comum – o Fascismo Cotidiano que definiam o jornalista e ensaísta italiano, Umberto Eco e o grande historiador brasileiro, Nelson Werneck Sodré.

É tarefa fundamental, derrotados os golpistas do governo Temer, a revisão das concessões dos meios de comunicação.

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