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Alguns amigos insistem em dizer que a inveja existe. Eu concordo apenas se considerarmos que ela existe como epifenômeno, como reflexo de vontades estranhadas de possuir o que não se tem ou o que se quer conquistar nas condições difíceis e às vezes impossíveis dentro das sociedades regidas pela propriedade privada e pela divisão de classes ou estamentos.
 
A inveja existe na relação direta das frustrações dadas pelas relações sociais amputadas da hominidade; inveja-se as condições materiais que alguns possuem e a maioria não … inveja-se a capacidade de alguns e na fragmentação da totalidade da existência perde-se a dimensão de que todos temos capacidades infinitas porque somos humanos.
 
O plano imediato da inveja é a subjetividade … inveja-se, por exemplo a felicidade de alguém, ou a capacidade de alguém em dedicar-se a um projeto ou a uma causa. Dizendo de outro modo, inveja-se o empenho que uma sociabilidade lasciva e reificada retira das pessoas …. o invejoso quer apropriar-se da individualidade alheia, como se fosse possível arrebatar a virtude implícita e explicita nos seres individuais que alguns conseguem potencializar, a pesar da fragmentação da praxis posta pela sociabilidade da mercadoria.
 
A inveja é filha direta do estranhamento e da alienação e no capitalismo ela ganha os contornos destrutivos das sublimações frustradas e da amargura de uma vida cerrada em si mesma, que não busca a realização no outro e no coletivo.
 
Mas não nos enganemos, a inveja é destrutiva e deletéria … Se a inveja é nada mais que o modo subjetivado da desominidade que a sociabilidade do mercado impõe …. combatemos os invejosos dando a eles as condições de consciência de sua infelicidade …. mesmo quando somos duros e intransigentes com os invejosos
 
Por isso todo revolucionário de um modo ou de outro, não tem tempo de sentir inveja, porque vê na vida e no outro a realização de uma nova hominidade.

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