Artigo

O feminismo não é contra os homens

Inicialmente, cumpre registrar que não há uma única forma de ser feminista, pois existem muitos feminismos. Ou seja, o feminismo é um pensamento/movimento plural, onde a possiblidade de divergência sempre está presente e é perfeitamente natural e salutar.  Conceitualmente falando...

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Inicialmente, cumpre registrar que não há uma única forma de ser feminista, pois existem muitos feminismos. Ou seja, o feminismo é um pensamento/movimento plural, onde a possiblidade de divergência sempre está presente e é perfeitamente natural e salutar.  Conceitualmente falando, o feminismo corresponde aos movimentos de liberação das mulheres do jugo do patriarcado e da opressão de gênero que este produz.

Ao longo da história, o feminismo tem sido impulsionado por mulheres (e por alguns homens) que construíram distintas maneiras de pensar, de estar e de agir no mundo. Feminismo, portanto, é teoria e prática. Valendo lembrar que não se faz necessário ter um título ou uma carteirinha de feminista para que alguém se identifique como tal.

De todo modo, ainda que haja inúmeras visões a respeito, nenhuma delas propõe uma batalha contra os homens, embora existam situações em que pessoas equivocadamente apresentem o feminismo como uma guerra ao sexo masculino. O que não é verdade, pois independente da orientação sexual, as feministas costumam amar os homens, sejam eles seus pais, irmãos, amigos ou cônjuges. Assim, é perfeitamente possível ser uma mulher casada com um homem, mãe de filhos homens e ser feminista, pois não são coisas incompatíveis, já que as feministas  lutam para exterminar o patriarcado enquanto sistema de dominação masculina, e não os homens enquanto grupo social. destarte, a proposta é construir uma sociedade onde as relações de gênero sejam mais democráticas e igualitárias e não uma sociedade composta somente por mulheres.

Portanto, se alguém ainda sente desconforto ao se deparar com termo feminismo, é porque não entendeu realmente a que este movimento se destina. Até porque toda pessoa que deseja uma sociedade com igualdade de gênero contribui, voluntária ou involuntariamente para o sonho feminista, seja mulher ou homem, embora haja polêmicas sobre a possibilidade de haver homens feministas ou não. Mas este é outro debate.

Atualmente, cada vez mais pessoas, sobretudo jovens, se identificam com algum tipo de feminismo e, paulatinamente, vão aderindo aos valores deste movimento. Não obstante, a palavra feminismo ainda carrega um certo estigma, pois há muito desconhecimento a respeito. Além do mais, já que vivemos numa sociedade patriarcal, é comum que os conservadores tentem evitar as mudanças que levem à plena emancipação feminina. mas, de toda sorte, convém pontuar que ninguém nasce feminista, mas torna-se. E esse tornar-se advém de um aprendizado que vai se convertendo em uma atitude e que vai forjando uma certa forma de enxergar o mundo e um desejo de melhorá-lo permanentemente.

Além do exposto, convém lembrar que o feminismo é considerado o movimento social mais importante do século XX,   sendo responsável por muitas das transformações nas relações sociais que experimentamos nos dias atuais. E não somente as mulheres se beneficiam das conquistas históricas resultantes das batalhas feministas, mas os homens também, haja vista que, sem este movimento, nem a licença maternidade e nem a licença paternidade seriam possíveis, além da guarda compartilhada, do voto feminino, do direito à educação e ao trabalho para as mulheres,  e, por via de consequência, das possibilidades de fortalecimento do orçamento familiar através do trabalho de ambos os cônjuges, embora as responsabilidades com o trabalho doméstico e o cuidado e socialização das crianças ainda recaiam majoritariamente sobre as costas das mulheres.

Ademais, foi graças às lutas de muitas feministas que as mulheres puderam chegar à Universidade e produzir ciência e tecnologia, além de adentrar em áreas e postos de trabalho outrora destinados somente ao sexo masculino. A participação na política, por exemplo, apesar de ainda tímida ou subrepresentada, também decorre da luta feminista, assim como a criminalização da violência contra a mulher, dentre outros avanços.

Em face do avanço dos estudos feministas, houve também o alargamento do conceito de cidadania e de democracia, a partir dos quais é possível construir relações de gênero mais igualitárias na esfera pública e privada, ou seja, no âmbito do Estado, no mundo do trabalho, no contexto escolar, mas também no seio da família e no leito conjugal.

Por tudo isso, a cada 8 de março, quando a sociedade se mobiliza para celebrar as conquistas femininas e também para refletir sobre o que ainda há por fazer, convém destacar o importante papel dos movimentos feministas frente a todos os avanços, bem conhecer todas as suas agendas e as atuais demandas apresentadas. Valendo também a lembrança de que o feminismo não é um movimento contra os homens, mas um movimento contra o machismo e a favor dos direitos humanos das mulheres.

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