Artigo

Um Desabafo sobre a Inveja …. Meio que papo de boteco

Alguns amigos insistem em dizer que a inveja existe. Eu concordo apenas se considerarmos que ela existe como epifenômeno, como reflexo de vontades estranhadas de possuir o que não se tem ou o que se quer conquistar nas condições difíceis e às vezes impossíveis dentro das sociedad...

2 min de leitura
Alguns amigos insistem em dizer que a inveja existe. Eu concordo apenas se considerarmos que ela existe como epifenômeno, como reflexo de vontades estranhadas de possuir o que não se tem ou o que se quer conquistar nas condições difíceis e às vezes impossíveis dentro das sociedades regidas pela propriedade privada e pela divisão de classes ou estamentos.
 
A inveja existe na relação direta das frustrações dadas pelas relações sociais amputadas da hominidade; inveja-se as condições materiais que alguns possuem e a maioria não … inveja-se a capacidade de alguns e na fragmentação da totalidade da existência perde-se a dimensão de que todos temos capacidades infinitas porque somos humanos.
 
O plano imediato da inveja é a subjetividade … inveja-se, por exemplo a felicidade de alguém, ou a capacidade de alguém em dedicar-se a um projeto ou a uma causa. Dizendo de outro modo, inveja-se o empenho que uma sociabilidade lasciva e reificada retira das pessoas …. o invejoso quer apropriar-se da individualidade alheia, como se fosse possível arrebatar a virtude implícita e explicita nos seres individuais que alguns conseguem potencializar, a pesar da fragmentação da praxis posta pela sociabilidade da mercadoria.
 
A inveja é filha direta do estranhamento e da alienação e no capitalismo ela ganha os contornos destrutivos das sublimações frustradas e da amargura de uma vida cerrada em si mesma, que não busca a realização no outro e no coletivo.
 
Mas não nos enganemos, a inveja é destrutiva e deletéria … Se a inveja é nada mais que o modo subjetivado da desominidade que a sociabilidade do mercado impõe …. combatemos os invejosos dando a eles as condições de consciência de sua infelicidade …. mesmo quando somos duros e intransigentes com os invejosos
 
Por isso todo revolucionário de um modo ou de outro, não tem tempo de sentir inveja, porque vê na vida e no outro a realização de uma nova hominidade.
Compartilhe:

Leia também

QUEM É VOCÊ NA FILA DO PÃO?

Artigo escrito por Bruno Calheira, servidor público do TJBA filiado ao SINTAJ. Outras leituras do autor podem ser lidas em calheira.com. POR QUE DEFENDEMOS QUEM NOS EXPLORA A arte de lutar contra os próprios interesses Existe um fenômeno curioso que assombra a humanidade há sécul...

SINTAJ

DESAFIOS DO SINDICALISMO FRENTE À DESIGUALDADE DE GÊNERO

Muito se fala sobre o papel dos sindicatos na luta em defesa dos direitos da classe trabalhadora. E, sem dúvida, este papel é de suma importância, pois sem a organização da classe que vive do trabalho e sem as históricas batalhas em torno dos seus mais elementares direitos, nenhu...