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ARTIGO: SUPERENDIVIDAMENTO: A EPIDEMIA MODERNA

Artigo escrito por João Wilson Queiroz Danon. João é Advogado, Economista, Mediador, Instrutor de Mediação e Educador Financeiro

De tempo em tempos, a história do homem se modifica com as transformações sociais que ocorrem a cada ano; mudanças sociais, culturais e padrões de comportamento que moldam o consumo dos indivíduos muito além de suas necessidades.

A criação da moeda e circulação do dinheiro como bem de troca, trouxeram um avanço significativo nas relações comerciais, envolvendo empresas e consumidores num elo relacional de consumo, que propicia o desenvolvimento econômico e bem-estar dos cidadãos através da conquista e satisfação de necessidades que ele proporciona.

Atualmente, o padrão consumista sofre intervenções diárias e maciças das mídias sociais, vendendo um contexto de sucesso atrelado à riqueza material, onde os bens e classe social moldados pela aparência se tornam o espelho que reflete o sucesso pessoal. Paralelamente a isso, cresce assustadoramente o número de indivíduos endividados e superendividados que tentam acompanhar esse “status”, gastando acima do que ganha.

A falta de uma educação financeira associada à voracidade dos algoritmos do consumo, tornam a sociedade cada vez mais refém dessa política de endividamento, baseada na “parcela que cabe no bolso”. Assim, famílias inteiras são prejudicadas ante uma economia desproporcional onde a distribuição de renda estratifica o modo de sobrevivência de cada um. O resultado disso está na conjuntura atual liderada pelo” querido” cartão de crédito, que dá aos desorientados um recurso que não lhe pertence, fazendo-o utilizar e cair numa ciranda de débitos consequentes que só beneficia as instituições financeiras.

Eis aí o Superendividamento, famílias inteiras sucumbindo aos juros exorbitantes que ceifam seu poder de compra e o essencial fica desprotegido levando a dignidade ao caos, inclusive quanto aos servidores públicos que trocam sua estabilidade pela instabilidade dos débitos infinitos que a cada dia vão se tornando impagáveis. Cada vez mais crédito concedido sem a devida informação e cada vez mais descrédito pessoal, empurrando o consumidor para a exclusão. E o futuro, onde estará? Projeções econômicas incertas associadas à exclusão social imposta pelo superendividamento atingem patamares beirando os 80%.

Se a Lei vem para salvar o endividado, onde está o seu complemento? O processo deve ser mais amplo fomentando o conhecimento, pois nada adianta paliativos temporais se na estrutura está o tormento. Transformar o endividado em consumidor consciente é uma luta gigantesca de cultura onde o foco sai do embelezamento social mostrado pela mídia do momento, para uma transformação emocional capaz de devolver ao ser o seu fundamento, pois Lei nenhuma sem efetividade operacional pode mudar qualquer comportamento.

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