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Foto: Jairo Pinto/Sintaj

Nestas quinta (13) e sexta-feira (14) o SINTAJ promoveu o Primeiro Encontro de Mulheres do Judiciário baiano. O evento, realizado no Sol Bahia Hotel, em Patamares, contou com palestras sobre temas ligados ao cotidiano das mulheres, abordando assuntos como sexualidade, maternidade, representatividade, relacionamento, carreira profissional, a influência da raça e da classe social nas discriminações de gênero, luta sindical e envolvimento na política.

A abertura do evento foi realizada pela pesquisadora e doutora em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres Gênero e Feminismo Salete Maria. A professora abordou o tema “O que é o feminismo” e fez uma abordagem do movimento político de forma teórica e prática, trazendo as ideias feministas para o dia a dia das mulheres presentes em uma abordagem interseccional. “”Somos marcadas pela classe, pela raça, pelo gênero e pelo lugar onde a gente nasce”, afirmou.

A pesquisadora Salete Maria falou sobre feminismo Foto: Jairo Pinto/Sintaj

A fala de Salete foi bem recebida pelas servidoras presentes que também deram suas opiniões e compartilharam experiências durante o momento reservado para o debate. “Na central de mandados dos 78 Oficiais de Justiça 50 são mulheres e, frequentemente, ouvimos esse questionamento: como você vai entregar mandado numa favela? Como você vai prender um homem?”, relatou a trabalhadora Gissélia Rondanmilans, oficial de Justiça.

“O patriarcado é algo tão terrivelmente plantado na consciência das pessoas que existem lésbicas que se apropriam das piores coisas do machismo, como violência doméstica e discriminação das lésbicas contra as próprias lésbicas”, afirmou Monalisa Barbosa, servidora lotada em Feira de Santana.

A poeta Lívia Natália falou sobre relações abusivas Foto: Jairo Pinto/Sintaj

Logo após o encerramento da palestra houve uma festa de confraternização entre as mulheres. O momento contou com uma apresentação da cantora e servidora filiada ao SINTAJ, Cláudia Garcia, vencedora do primeiro Festival de Música do TJ-BA.

A primeira palestra do segundo dia do encontro foi sobre relacionamento abusivo e ficou a cargo da doutora em literatura e poeta Lívia Natália. Bem humorada, a explanação levou as trabalhadoras a refletir sobre as relações destrutivas. De forma leve e usando situações do dia a dia como exemplo, Lívia logo conquistou as trabalhadoras, sendo a sua explanação bastante aplaudida. Muitas se identificaram com as situações descritas. “Nenhum abusador começa como abusador, né? É um processo que começa extremamente silencioso”, disse a palestrante.

A advogada Daniela Portugal falou sobre descriminalização do aborto Foto: Jairo Pinto/Sintaj

Após a fala de Lívia foi abordado um tema bastante controverso. A advogada e doutora em Direito Penal, Daniela Portugal, falou sobre descriminalização do aborto. Daniela afirmou que tornar o aborto crime é uma política genocida do Estado que atinge essencialmente mulheres negras e pobres e fez um apanhado histórico do controle do corpo e da sexualidade das mulheres. “Quem são as pessoas que o nosso Estado quer prender? Pessoas pobres e negras. Nosso Estado é genocida. Porque aponta todo o seu aparato de controle contra uma determinada população”, criticou.

Ana Georgina e Andrea Ferreira fizeram parte da mesa “A mulher na política” Foto: Jairo Pinto/Sintaj

Durante a tarde foi realizada uma mesa de debate com o tema “A mulher na Política” da qual participaram a economista e supervisora técnica do DIEESE Ana Georgina Dias e a coordenadora geral adjunta do Sindijus-PR Andrea Ferreira. As palestrantes apontaram as causas que levam as mulheres a serem minoria na política e indicaram possíveis soluções para começar a resolver o problema.

Mulheres participam de ciranda Foto: Jairo Pinto/Sintaj

“Não é  a mulher não querer se candidatar é uma série de coisas que dificultam essa candidatura”, colocou Ana Georgina. Já Andrea fez questão de destacar que é importante que todas façam a sua parte da forma que puderem. “ A mudança começa em. Não dá pra ficar esperando só pelo outro”, colocou a dirigente.

Ao fim do dia foi formado um coletivo de mulheres e a terapeuta Bianca Dantas conduziu uma meditação e uma ciranda de mulheres. O trabalho teve como objetivo empoderar as mulheres presentes e fazer com que enxergassem umas nas outras companheiras de jornada. A tônica do momento foi de resistência. O lema foi: ninguém solta a mão de ninguém.

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