Mesmo com pandemia, Rui decide acabar com abono permanência de servidores; Projeto pode ser votado neste sábado
Nesta quinta-feira (7), em entrevista coletiva concedida à imprensa baiana, o governador Rui Costa (PT) descreveu como assustadora a “falta de empatia” e de “sensibilidade com a vida humana” do presidente Jair Bolsonaro, ao comentar a postura do chefe do Executivo nacional diante...
Nesta quinta-feira (7), em entrevista coletiva concedida à imprensa baiana, o governador Rui Costa (PT) descreveu como assustadora a “falta de empatia” e de “sensibilidade com a vida humana” do presidente Jair Bolsonaro, ao comentar a postura do chefe do Executivo nacional diante do combate à pandemia de Covid-19. No entanto, para quem cobra sensibilidade com tanta ênfase, Rui está deixando a desejar.
O governador está próximo de acabar com mais um direito dos trabalhadores do setor público baiano. Neste sábado (9) o projeto do governo que acaba com o abono permanência dos servidores voltará à pauta da Alba (Assembleia Legislativa da Bahia), em sessão extraordinária convocada pelo presidente da Casa, Nelson Leal.
O Projeto de Lei 23.780/2020 foi enviado por Rui para a Alba em março deste ano, com pedido de tramitação em regime de urgência. O abono permanência é um benefício concedido para aqueles servidores que já têm condições de se aposentar, mas não o fazem e por isso recebem um adicional ao salário.
Ao contrário do que Rui quer fazer parecer, a permanência dos trabalhadores na ativa mesmo podendo se aposentar não beneficia apenas o servidor, mas toda a população baiana, já que a defasagem no número desses profissionais é enorme em todo o estado. Concurso é coisa cada vez mais rara e os que são realizados não dão conta de efetivamente acabar com a falta de trabalhadores. O governador vem agindo, ao longo dos seus dois mandatos, como se os servidores fossem inimigos. Os “parasitas” que o ministro da economia Paulo Guedes descreveu.
Esse projeto é apenas mais um exemplo da falta de sensibilidade do governador para com aqueles que mantém de pé a estrutura do estado que ele governa. Ele decidiu acabar com um benefício que muitos já tinham a expectativa de poder usufruir sem nenhum diálogo com os trabalhadores e sem nenhuma concessão.
Esse é o pior momento para Rui acabar com o abono. O governador deveria desistir da aprovação dessa regra, já que o serviço público é o que mais está e será sobrecarregado com as demandas resultantes das crises de saúde pública, social e financeira causadas pelo espalhamento do coronavírus e, portanto, precisará mais do que nunca de mão de obra qualificada e com experiência atuando na linha de frente. Mas sensibilidade só é bom para cobrar dos outros.