Nota de repúdio à proposta de redução do salário dos trabalhadores do setor público

Nota de repúdio à proposta de redução do salário dos trabalhadores do setor público

 

O SINTAJ vem a público expressar o seu total repúdio à tentativa demagógica e contraproducente dos deputados federais de reduzirem os salários e a jornada dos trabalhadores do setor público durante a pandemia de coronavírus.

Nesta terça-feira (24) o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou que partidos estão elaborando uma proposta para reduzir o salário e a carga horária dos servidores públicos e dos parlamentares enquanto durar o período de crise causada pela pandemia de Covid-19. Só seriam poupados médicos, policiais e outros profissionais envolvidos diretamente no combate ao coronavírus.

De acordo com Maia, trabalhadores que recebem até R$ 5 mil não teriam nenhuma redução, quem ganha até R$ 10 mil perderia 10% da sua renda e quem tem salários superiores a R$ 10 mil perderia entre 20% e 50% dos seus proventos. A proposta tramitaria na Casa juntamente com o projeto sobre as regras para os trabalhadores da iniciativa privada.

O SINTAJ considera que não há nenhuma lógica em reduzir a prestação de serviço público durante uma pandemia, momento em que a maior parte da população pode precisar do aparato do estado. Existem inúmeros profissionais que, apesar de não estarem na linha de frente do combate ao vírus no sentido clínico, são imprescindíveis para que o caos não se instale. O que seria do país nesse momento se os pesquisadores, os trabalhadores da Justiça, os fiscais das irregularidades mais diversas diminuíssem o ritmo de trabalho? Os deputados esquecem que uma doença traz crise na saúde, mas também social e essa última tem sua prevenção e combate feita principalmente por trabalhadores do setor público.

Olhar o salário dos trabalhadores sem contexto também é um grande erro. Os deputados não sabem quantos dependem do salário daquele servidor. Medidas como essa podem afetar sobrevivência de idosos e crianças. Num momento como esse todo suporte financeiro é importante. Além disso, nessa situação, em que o caos econômico é inevitável, os deputados deveriam ajudar a preservar o máximo possível da economia e não retirar ganhos de trabalhadores para piorar ainda mais o cenário. Acabou o medo do colapso econômico?

A coordenação do SINTAJ acredita que os deputados estão se aproveitando do caos que se avizinha para testar, com uma desculpa louvável, um possível desmonte do Estado que será posto em prática posteriormente – e, neste último, podem ter certeza que eles não entrarão. Fazem isso sem se preocupar com as vidas que serão perdidas agora. Sem se preocupar com as vidas que serão perdidas depois.

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2 Comentários

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    Ana Lucia
    25 de março de 2020, 20:50

    Nenhum corte,nenhum direito a menos ,com o congelamento salarial na Bahia ao qual estamos submetidos nos últimos 6 anos!

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    Maria Helena Pinheiro de Britto Cardoso
    27 de março de 2020, 04:33

    Mexer na verba de caráter alimentar não é proibido por lei.
    Aqui no estado da São Paulo aquele maldito mamãe falei de que aquilo para mim nem pode falar que é deputado , aquele lixo entrou contra os funcionários públicos novamente.
    Vcs precisam fazer alguma coisa, processar esse cara.
    Ele protocolou imediatamente para que ocorra isto.
    Se mexer no dinheiro do funcionalismo vai ter guerra. Ninguém vai ficar quieto se tirar o alimento da sua família. Isto não vai prestar.

    REPLY

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