SINTAJ SINDICATO

SUPERSALÁRIOS E PERDAS SALARIAIS: O CONTRASTE DA INJUSTIÇA NA CASA DA JUSTIÇA BAIANA

Quando Martin Luther King escreveu que “A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar”, havia um contexto histórico que ele rebateu em sua defesa e na luta pela dignidade. Além disso, essa reflexão permanece atual e será fundamental para compreender uma realidade que aflige tanto os servidores não integrantes quanto os integrantes do TJBA.

Recentemente, na Bahia, as atenções estiveram voltadas para magistrados do poder judiciário que recebem supersalários. Esses pagamentos elevados derivam de “penduricalhos”, termo que ganhou destaque para retratar os altos ganhos decorrentes de benefícios extras, gratificações e auxílios diversos que inflam os vencimentos finais.

A partir daí, surge uma contradição: uma categoria de servidores públicos que coexiste com os magistrados togados, mas enfrenta um longo histórico de perdas salariais significativas e assiste, continuamente, à implementação de benefícios que privilegiam apenas a magistratura.

A categoria de servidores públicos do TJBA conquista direitos — e não benefícios — após incessantes manifestações, mobilizações e desgastes. Suas perdas, em sua maioria, não são corrigidas, o que gera um impacto profundamente prejudicial à vida desses trabalhadores. Já a categoria de magistrados recebe, sem grandes sacrifícios, pagamentos que ultrapassam o teto constitucional.

Retomando a frase de Martin Luther King em associação ao cenário de iniquidade entre servidores e magistrados baianos, nota-se uma interconectividade impossível de ignorar: a omissão diante da injustiça é justamente o que sustenta a imponência de um Tribunal de Justiça.

Há tanta justiça nessa frase que ela chega a contrastar com a complexidade das ideias. No entanto, ela não apaga o fato de que existe uma desigualdade persistente, a qual se renova com eficiência. Nessa engrenagem, os trabalhadores — posicionados na base da pirâmide — são desvalorizados. Eles não apenas aumentam a mais-valia do Poder Judiciário baiano, mas também sustentam o topo a partir do mínimo que recebem. Enquanto enfrentam salários defasados, convivem com a eterna justificativa de que o orçamento nunca é suficiente para uma justa recomposição salarial.

Em uma visão mais ampla, os supersalários assustam uma sociedade marcada por profunda desigualdade salarial, na qual muitas pessoas precisam sobreviver com o salário-mínimo. Esse choque violento de realidades reforça o sentimento de injustiça social e invisibilidade.
Existe uma definição sociológica que retrata experiências de vida tão discrepantes: o chamado “abismo de empatia”. Sob o efeito de uma régua financeira profundamente desigual, o indivíduo perde a capacidade de se colocar no lugar do outro. É exatamente esse o fenômeno provocado pelos supersalários.

Indignação é o sentimento que descreve as remunerações extrateto recebidas por magistrados baianos — e estamos falando apenas da Bahia.

Esse cenário causa constrangimento diante das dificuldades sociais e reforça a normalização de uma injustiça dentro de um ambiente onde a própria justiça deveria servir de ponte com a sociedade. Em vez disso, essa disparidade intensifica os riscos a direitos que deveriam ser resguardados e respeitados.

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